AutoData - Financiamentos aumentam 7,4% no semestre
news
24/07/2017

Financiamentos aumentam 7,4% no semestre

Por Mônica Cardoso

- 24/07/2017

Os financiamentos de veículos cresceram 7,4% no primeiro semestre, com 2 milhões 425 mil 796 unidades, carros, motos e caminhões. Os dados fazem parte do levantamento da B3, empresa que agrega BM&FBovespa e Cetip. Desse total o número de veículos novos financiados foi 845 mil 217 unidades, queda de 3,9% com relação ao mesmo período de 2016, 879 mil 133.

Já os usados apresentaram alta de 14,6%, quando passaram de 1 milhão 379 mil 522 unidades para 1 milhão 580 mil 579.

Considerando as modalidades de financiamento, o CDC, crédito direto ao consumidor, foi a única categoria que avançou no primeiro semestre, além de continuar sendo a mais utilizada pelos consumidores, com 2 milhões 3 mil 569 unidades negociadas, alta de 11,6% na comparação com o mesmo período do ano passado. Já o consórcio recuou 7,1% ante os seis primeiros meses de 2016, com 366 mil 637 unidades.

O levantamento reflete o Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito, que mostra que a procura por crédito aumentou 2,1% no primeiro semestre deste ano no comparativo com o mesmo período de 2016.

Apesar do aumento pela procura os bancos mantêm postura cautelosa, aprovando apenas 40% das fichas de financiamento, de acordo com Antônio Megale, presidente da Anfavea, durante coletiva de imprensa na semana passada: “A entidade está conversando com bancos públicos para aumentar a concessão de crédito”.

Segundo ele o volume de financiamentos, em junho, foi de 49%, sendo que historicamente costuma ser superior a 60%.

Essa atitude mais conservadora por parte dos bancos é explicada pela alta taxa de inadimplência, que aumentou em 1,5 milhão de pessoas no primeiro semestre, de acordo com dados do Serviço de Proteção ao Crédito e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas. A estimativa é a de que um total de 59,8 milhões de consumidores brasileiros estejam inadimplentes.

Esse panorama, contudo, pode mudar nos próximos meses, de acordo com o professor Antônio Jorge Martins, coordenador dos cursos da cadeia automotiva da Fundação Getúlio Vargas: “Os bancos estão segurando a concessão de crédito para as famílias reduzirem seus endividamentos. Sob a ótica da redução crescente da taxa de juros e a provável queda nas taxas de endividamento a tendência é a de que os bancos aumentem a concessão de crédito”.

CONFIANÇA – A precaução não é apenas de parte dos bancos. O índice de confiança do consumidor, que sinaliza os gastos e poupanças da população, caiu 1,9% de maio para junho, de 84,2% para 82,3%. A queda foi causada pelas incertezas políticas, de acordo com Viviane Seda, coordenadora da sondagem do consumidor do FGV IBRE, responsável pelo levantamento:

“A queda da confiança está atrelada a um menor ímpeto para compras e a uma perspectiva de piora das expectativas sobre as finanças familiares. Isso está relacionado não apenas com o nível de endividamento mas, também, à dificuldade da recuperação do mercado de trabalho com as altas taxas de desemprego”.


Whatsapp Logo